terça-feira, 31 de agosto de 2010

O primeiro beijo

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998)
Clarice Lispector

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A todos os meus amigos!!!

" Abençoados os que possuem amigos,
os que os tem sem pedir.
Porque amigo não se pede,
não se compra, nem se vende.
Amigo agente sente!"

(Machado de Assis)


Louvo a Deus pela vida de todos os meus verdadeiros amigos. A todos vocês que têm me ensinado que é possível uma amizade verdadeira. Obrigada por me fazerem tão feliz, sabendo que posso contar com pessoas tão especiais. Vocês são verdadeiros anjos, que Deus colocou no meu caminho, para alegrarem ainda mais a minha vida. Obrigada pelo carinho que vocês têm por mim, pelas palavras que sempre me dizem, pela força que têm me dado nessa minha caminhada. Amo vocês, meus amados amigos. Obrigada por existirem. Beijos a Todos.

Dani Moreira

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Felicidade Clandestina

Pessoas, muito lindo esse conto da Clarice Lispector!!!!

"Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim um tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte.

Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo.

E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

"Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante."

Clarice Lispector.

Biblioteca Verde

Papai, me compra a Biblioteca Internacional
de Obras Célebres
São só 24 volumes encadernados
em percalina verde.
Meu filho, é livro demais para uma criança-
Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
Quando crescer eu compro. Agora não.
Papai, me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra.
Fica quieto, menino, eu vou comprar.

Rio de Janeiro? Aqui é o Coronel.
Me mande urgente sua Biblioteca
bem acondicionada, não quero defeito.
Se vier com arranhão recuso, já sabe:
quero devolução de meu dinheiro.
Está bem, Coronel, ordens são ordens.
Segue a Biblioteca pelo trem-de-ferro,
fino caixote de alumínio e pinho.
Termina o ramal, o burro de carga
vai levando tamanho universo.

Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde. Sou
o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não: inveja de mim mesmo.)
Ninguém mais aqui possui a colecção
das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
Antes de ler, que bom passar a mão
no som da percalina, esse cristal
de fluída transparência: verde, verde.
Amanhã começo a ler. Agora não.

Agora quero ver figuras. Todas.
Templo de Tebas, Osíris, Medusa,
Apolo nu, Vénus nua... Nossa
Senhora, tem disso tudo nos livros?
Depressa, as letras. Careço ler tudo.
A mãe se queixa. Não dorme este menino.

O irmão reclama: apaga a luz, cretino!
Espermacete1 cai na cama, queima
a perna, o sono. Olha que eu tomo e rasgo
essa Biblioteca antes que peque fogo
na casa. Vai dormir, menino, antes que eu perca
a paciência e te dê uma sova. Dorme,
filhinho meu, tão fraquinho.

Mas leio. Em filosofias
tropeço e caio, cavalgo de novo
meu verde livro, em cavalarias
me perco, medievo; em contos, poemas
me vejo viver. Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta
à casa a qualquer hora num fechar
de páginas?

Tudo o que sei é ela que me ensian.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.

Carlos Drummmond de Andrade

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Minha experiência com a escrita e com a leitura



Por Dani Moreira

Desde criança, sempre, gostei de ler. Lembro que passava horas e horas do meu dia lendo histórias de princesas, clássicos da literatura infantil como: Chapeuzinho Vermelho, Soldadinho de Chumbo, também tinha fixação por histórias em quadrinhos. Quando adolescente, passei a gostar de ler poemas e poesias, especialmente, aqueles que falavam de amor. Tinha preferência por Vinicius de Moraes e Camões, mas, lia tudo que chegasse às minhas mãos.
Nesse mesmo período, comecei a escrever. Escrevia diários. Até hoje escrevo diários. Se bem, que, nem sei se posso chamar de diários, pois não escrevo todos os dias, exceto quando acontece algo muito especial ou extraordinário, digno de ser registrado ou sempre que posso.
Escrever foi a maneira que eu encontrei de me conhecer e também de entender a mim mesma, os outros e o mundo. Escrever me faz muito bem. Quando estou triste, feliz ou até mesmo quando me sinto sozinha, eu escrevo. Escrevo porque encontro companhia nas palavras, nas frases que vão se formando, nos textos que seguem e que revelam quem sou.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Canção do dia de sempre

Mário Quintana

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Oi pessoas!!! Tudo bem com vocês? Dei uma mudada no visual do blog, para facilitar as leituras... E ai, gostaram???

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Redação interessante

Li esse texto a algum tempo atrás e gostei demais. Simplesmente sensacional. Trata-se de uma redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco – Recife). Vale a pena conferir!

“Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.

Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva”.

Casamento


Por Dani Moreira


Casamento é algo interessante e às vezes até engraçado. Sei que é uma coisa muito séria, um contrato inquebrável e por toda vida (ou pelo menos deveria ser). É algo constituído por Deus, do coração de Deus direto para os nossos corações desde a criação do mundo. É algo do tipo “até que a morte os separe”, ou resumindo, para sempre.

Casamento é interessante no sentido de como duas pessoas que não se conhecem (na verdade ninguém nunca conhece o outro a fundo) passam a viver juntas, debaixo do mesmo teto, "sem muitos problemas". Sinceramente é algo que me faz refletir... Eu não posso falar de casamento com tanta propriedade, porque eu não sou casada, nem nunca fui e não sei se serei um dia, mas enfim, eu posso me basear nas experiências de pessoas que eu conheço e que são casadas.

Antes de começar a falar do casamento propriamente dito, devo explicar porque eu acho casamento algo engraçado. Não é bem o casamento que é engraçado, normalmente é a festa e os convidados. É cada coisa... Prefiro não comentar. Mas, voltando para a questão da seriedade do matrimônio, uma coisa que me chama atenção é justamente as pessoas casarem para serem felizes. Um dia um professor, pastor, me disse que devemos nos casar para fazer alguém feliz e isso deve ser uma troca. Mas daí eu me pergunto, será que o ser humano está preparado para isso, fazer alguém feliz sem pensar no próprio eu? Vivemos em uma sociedade – não generalizando – egocêntrica e porque não dizer egoísta. Como pessoas que só são capazes de olhar para o próprio umbigo, farão feliz outra pessoa? É complicado, demais complicado eu diria. De vez em quando me pego a comparar os casamentos de hoje com os de outrora, é tão diferente. Por exemplo, meus avôs são casados no papel, a mais de cinqüenta anos, você tem noção do que isso significa? Mais de cinqüenta anos, não são como mais de cinqüenta dias, é muito tempo, é meio séc. Eu penso, será que isso é amor, ou apenas aparência? No fundo, creio que seja amor, pois só o amor, o verdadeiro amor é capaz de suportar tantas coisas e tanto tempo. Tenho também o exemplo dos meus pais, dos meus padrinhos e de um monte de gente que eu conheço que tem resistido, suportado ao tempo, a tudo, gente que tem se amado de verdade.

Contudo, por outro lado, também conheço uma infinidade de pessoas que casaram e que depois de certo tempo separaram-se. Alguns alegam que o amor acabou (agora me diga se amor de verdade acaba), outros dizem que não era bem o que queriam etc. e tal. Eu não conseguia entender muito bem aquela frase do Vinicius de Moraes que diz: ”que seja infinito enquanto dure”, pois agora eu a entendo exatamente como alguns casamentos que existem por ai. Essas coisas entristecem meu coração, porque eu sempre acreditei no amor verdadeiro, aquele que tudo suporta, tudo espera, que é paciente, que é benigno, que não se alegra com a maldade, aquele que o apostolo Paulo descreve na carta aos Coríntios, nas Escrituras Sagradas. Casamento é pra ser algo bom na vida das pessoas, é pra fazer bem. Sei que podem existir conflitos, pessoas com personalidades diferentes nem sempre concordam em tudo, nem sempre são unânimes, mas nessas horas, justamente nessas, que, um dos dois tem que dar o "braço a torcer" e reverter à situação. Um casamento pode ser algo tão agradável, tão lindo, tão especial, mesmo nos momentos mais difíceis. Acredito que uma esposa deve ser companheira, amiga do seu marido, aquela com quem ele tem prazer em dividir seus momentos bons e também os não tão bons. Um marido deve ser o amigo, o eterno namorado, o melhor amante. Aquele de quem a mulher jamais sente vergonha, mas que sente prazer em apresentá-lo para todos os seus amigos. Parece utópico, porém sei que é possível. Outro dia ouvi alguém dizer que enquanto houver vida há esperança, e isso é verdade. Como tudo na vida, imagino que o matrimônio tenha seus altos e baixos, contudo nada que não se possa resolver com calma.

Penso como deve ser deleitável chegar em casa depois de um longo dia de trabalho e encontrar alguém a nossa espera. Alguém que não é o nosso pai, nem a nossa mãe, nem os nossos irmãos, mas alguém que agora é parte de nós. Deve ser maravilhoso ter alguém pra cuidar, pra gente dizer que ama, pra abraçar nos momentos de solidão, pra aquecer nas noites frias... É, casamento tem sim seus prós, muito mais até que os contras, acredito.

Mas enfim, o matrimônio é e pode se tornar algo até divertido. Isso fica a critério do casal. Ser bom ou ruim depende de você. Por isso, se você é casado, não espere que o outro te faça feliz, faça-o. E se não é, vá aprendendo, enquanto há tempo, rsrsrsr.

A vidraça

Oi pessoas, tudo bem com vocês? Desculpem pela demora, tem uns dias ai que não posto nada, mas enfim, é a correria do dia a dia. Eu estava lendo um textinho bem interessante que encontrei aqui no meio das minhas coisas e gostaria de compartilhar com vocês para reflexão.

Um casal, recém-casados, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passaram na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine lavar roupas!
Nossa vizinha continuava pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar roupas!
E assim, a cada três dias, a mulher repetia o discurso, enquanto a vizinha pendurava sua roupa no varal.
Passando um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:
- Veja, ela aprendeu a lavar as roupas. Será que a outra vizinha a deu sabão? Porque eu não fiz nada.
O marido calmamente a respondeu:
- Não, hoje, eu levantei-me mais cedo e lavei a vidraça da janela.
E, assim é tudo. Depende da janela através da qual observamos os fatos. Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir, verifique seus próprios defeitos e limitações. Devemos olhar, antes de tudo para nossa própria casa. Para dentro de nós mesmos. Só assim poderemos ter real noção do real valor dos amigos, dos parentes, das pessoas que nos cercam.
Lave sua vidraça. Abra sua janela. Leia, reflita esta mensagem e a compreensão fortalecerá o laço de amizade de quem você gosta.