terça-feira, 17 de setembro de 2013

Céu dos céus


Por Dani Moreira



Seus olhos eram doces e brilhantes.
Me olhavam com ternura.
Enquanto suas mãos deslizavam sobre o meu rosto,
seus lábios encostavam-se nos meus lábios.
Eu já sabia que ele sabia como me fazer feliz.
E como em cenas de um filme,
Me senti transportada para outra dimensão,
A cada toque, a cada beijo
A cada sussurro ao pé do ouvido...
Era como se existisse uma transmissão de pensamento.
Ele realizava tudo o que eu queria,
Sem ao menos ter pedido ou comentado.
E depois de algum tempo,
Entre sussurros e gemidos e suores
Senti como fosse explodir e

De repente cheguei ao céu dos céus.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Nos últimos messes venho refletindo sobre o quanto a vida é ou tem sido injusta. Fico me perguntando porque as pessoas que mais amamos são levadas assim de forma tão súbita, tão inesperada, tão implacável. O ideal seria que essas pessoas nunca se fossem ou se fossemos todos juntos. Um dia alguém me disse que Deus quer essas pessoas perto dele. Tudo bem, mas e nós? O que devemos fazer com a dor, com a saudade e com o vazio deixado em nós? Porque as coisas precisam ser desse jeito? Enfim, enquanto isso, vou sofrendo calada e convivendo com as boas lembranças.....

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Deus tenha misericórdia da sua vida

Por Dani Moreira

Era uma manhã como outra qualquer, embora se tratasse da semana que antecedia a semana do carnaval. A jovem professora acordou animada, seria seu último encontro com aquela turma. Tomou banho, se arrumou, tomou seu café rapidamente, pegou suas coisas e saiu quase que atrasada. O ônibus não demorou a passar e logo já estava a caminho da escola. Para amenizar o tédio, por conta da distância, a moça colocou os fones no ouvido e seguiu a longa viagem ao som de uma boa música. Tudo ia bem, pessoas entrando e saindo do ônibus a todo o momento, afinal de contas, era uma terça- feira, dia de correria e as pessoas já estavam frenéticas pela chegada do carnaval que se aproximava. Até que um homem sentou-se ao lado da moça, sem que ela, distraída percebesse sua presença. Era um homem negro, aparentava ter uns quarenta anos, tinha uma expressão tranqüila, mas agressiva ao mesmo tempo. Ele a cutucou algumas vezes e só então ela o percebeu. Ele balbuciou algumas palavras que ela não compreendeu por causa da música, então retirou os fones e pediu para ele repetir. Era um assalto. A jovem parecia não entender muito bem o que estava lhe acontecendo até que o vagabundo suspendeu a camisa e lhe mostrou uma arma que ele carregava na cintura. Para sua surpresa, a jovem não esboçou nenhuma reação de medo e começou a conversar com ele. Disse que não tinha nada de valor para lhe dar, além do seu celular que recusou entregar para o vagabundo alegando precisar dele para resolver algumas coisas, milagrosamente o miliante aceitou a desculpa da jovem e lhe pediu apenas algum dinheiro. A moça abriu a bolsa com bastante calma e lhe deu dez reais, tudo o que tinha naquele momento. Olhou fixamente nos olhos do bandido e disse com tom bem sereno -   Olha, só te digo uma coisa: Deus tenha misericórdia da sua vida. O assaltante a fitou, bem embaraçado e desistiu de assaltar as outras pessoas que ocupavam aquele ônibus. Fez sinal para o parceiro e desceram no ponto seguinte. Depois que tudo acabou, a moça se deu conta do perigo que havia corrido, mas graças a Deus, tudo terminou bem.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A dor, o vazio e a saudade



Por Dani Moreira

E aquele dia, apesar de ensolarado, amanheceu cinzento. Uma trsiteza e uma angústia pairavam no ar, mas ninguém sabia explicar o que aquilo queria dizer. Era uma manhã como qualquer outra. Todos agiram normalmente, sem nada de extraordinário. Uns saíram cedo, outros ficaram na cama até mais tarde, afinal de contas, era uma manhã de domingo. Porém, o pai não se sentia bem, apesar de não demonstrar, não estava nada bem. Pediu ajuda à esposa que o levou para a emergência. Ninguém imaginava o que iria acontecer.

Duas horas depois receberam a pior notícia de suas vidas. O pai não resistirá e acabará falecendo. Todos enlouqueceram naquela hora. Não podiam acreditar, como pode acontecer. A morte chegou de forma implacável, avassaladora, impiedosa. Veio de súbito e o levou, assim, sem pedir licença. Uma dor muitíssimo grande invadiu aquela família e um grande vazio se alojou nos seus corações. Não acreditavam, não queriam acreditar. Por que as pessoas boas vão embora cedo? Era a pergunta que se faziam a todo momento. Tentavam se consolar mutuamente, mas a dor era imensa. O que fariam agora? Como seria a vida sem o pai? Não sabiam o que fazer sem ele. Ali a vida perdia o sentido, a graça.

No dia seguinte a sensação de dor era muito pior, enterrariam o pai e ali acabaria qualquer tipo de esperança dele voltar. Faziam o percurso até a sepultura desmanchando em lágrimas, o sofrimento era notório naquele lugar. Havia muitas pessoas, amigos, familiares... Todos prestando solidariedade aqueles meninos que agora seguiriam sem o pai. Chegaram. Não podiam conter a dor e o sofrimento. A esposa e a filha, com muito amor, beijaram uma rosa branca e lançaram sobre o caixão. Foi jogado o primeiro punhado de terra e depois outro e mais outro, até que ficou submerso. Restaram apenas a dor, o vazio e a saudade que lhes acompanhará até os últimos dias de sua vida.