quarta-feira, 1 de maio de 2013

Deus tenha misericórdia da sua vida

Por Dani Moreira

Era uma manhã como outra qualquer, embora se tratasse da semana que antecedia a semana do carnaval. A jovem professora acordou animada, seria seu último encontro com aquela turma. Tomou banho, se arrumou, tomou seu café rapidamente, pegou suas coisas e saiu quase que atrasada. O ônibus não demorou a passar e logo já estava a caminho da escola. Para amenizar o tédio, por conta da distância, a moça colocou os fones no ouvido e seguiu a longa viagem ao som de uma boa música. Tudo ia bem, pessoas entrando e saindo do ônibus a todo o momento, afinal de contas, era uma terça- feira, dia de correria e as pessoas já estavam frenéticas pela chegada do carnaval que se aproximava. Até que um homem sentou-se ao lado da moça, sem que ela, distraída percebesse sua presença. Era um homem negro, aparentava ter uns quarenta anos, tinha uma expressão tranqüila, mas agressiva ao mesmo tempo. Ele a cutucou algumas vezes e só então ela o percebeu. Ele balbuciou algumas palavras que ela não compreendeu por causa da música, então retirou os fones e pediu para ele repetir. Era um assalto. A jovem parecia não entender muito bem o que estava lhe acontecendo até que o vagabundo suspendeu a camisa e lhe mostrou uma arma que ele carregava na cintura. Para sua surpresa, a jovem não esboçou nenhuma reação de medo e começou a conversar com ele. Disse que não tinha nada de valor para lhe dar, além do seu celular que recusou entregar para o vagabundo alegando precisar dele para resolver algumas coisas, milagrosamente o miliante aceitou a desculpa da jovem e lhe pediu apenas algum dinheiro. A moça abriu a bolsa com bastante calma e lhe deu dez reais, tudo o que tinha naquele momento. Olhou fixamente nos olhos do bandido e disse com tom bem sereno -   Olha, só te digo uma coisa: Deus tenha misericórdia da sua vida. O assaltante a fitou, bem embaraçado e desistiu de assaltar as outras pessoas que ocupavam aquele ônibus. Fez sinal para o parceiro e desceram no ponto seguinte. Depois que tudo acabou, a moça se deu conta do perigo que havia corrido, mas graças a Deus, tudo terminou bem.