domingo, 9 de março de 2014

Desabrochar

Distraída, olhava da sacada o jardim. Havia uma roseira tão linda, com rosas tão vermelhas, outras desabrochando. Olhava tão fixamente e tinha o pensamento tão longe que nem percebeu quem se aproximou e debruçou-se ao seu lado. Ao sentir aquela doce presença, sorriu, tímida. Não disseram nada um para o outro, nem uma palavra se quer, apenas se olhavam. Os olhares costumam refletir o que se passa no coração e os seus corações, naquele instante, compartilhavam da mesma vontade. Permaneceram assim, se entreolhando, um contemplando o outro. Logo, não se comunicavam apenas com o olhar. Ele, muito gentilmente tocou-lhe os cabelos, depois acarinhou o seu rosto e abraçou-lhe fortemente.Podiam sentir os seus perfumes, as batidas dos seus corações e o calor que emanava dos seus corpos. Mantiveram-se assim por um instante, desfrutando de cada sensação que lhes era permitida pelos seus sentidos. Nunca estiveram tão próximos, tão íntimos como naquele momento. Ela fechou os olhos, ele foi aproximando os seus lábios ao dela, lentamente. Foi aproximando, aproximando... Até que os seus lábios finalmente se encontraram e se entregaram a um beijo doce e arrebatador que estava guardado durante muito tempo, só esperando o seu momento para acontecer. Afastaram-se, olharam-se novamente, sorriram e voltaram a contemplar  aquelas rosas, sobretudo, as que desabrochavam, como aquele amor.


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